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O Estado de S.Paulo, 7 Maio 2015

19.06.15

(texto abaixo)

O Estado de S. Paulo Maio 2015.jpg

Em busca de um lugar para a dor e de sentido

 

José Luís Peixoto lança "Morreste-me", breve ficção sobre a morte de seu pai

 

Em 1996, o português José Luís Peixoto tinha 21 anos e estudava para ser professor de inglês e de alemão. Não sonhava que ganharia o Prêmio José Saramago, para jovens autores, e que em poucos anos construiria uma carreira literária internacional respeitada. Mas a morte de seu pai naquele ano, depois de um sofrido tratamento de saúde, e a experiência de voltar, de fato ou em pensamento, à casa da infância, vazia, mudaria seu destino. Nascia, ali, um escritor – não que ele tivesse consciência disso quando começou a escrever o que se tornaria, depois, Morreste-me, que só agora ganha edição no Brasil.

Foi então com esta narrativa em que o filho conversa com o pai “impossivelmente morto”, enquanto relembra os últimos momentos vividos em casa ou no hospital e fala sobre o presente, ou seja, o regresso “a esta terra cruel. A nossa terra, pai. E tudo como se continuasse”, que Peixoto estreou na literatura.

José João morreu em janeiro. José Luís começou a escrever sobre sua perda em maio. Achava que se tratava apenas um texto, mas ao terminar sentiu que tinha mais a dizer – e continuou. “Cada frase foi escrita com muita dificuldade. Lembro-me de passar muito tempo diante da folha e, no fim do dia, ter duas, três frases, não mais”, conta. Encerrado o processo que durou um ano, ainda não considerava que estava diante de um livro. “Foi só mais tarde, quando percebi que nunca poderia escrever algo que se lhe comparasse, que me apercebi do quanto se tratava de um texto único. Então, decidi publicá-lo.”

O primeiro capítulo saiu no suplemento juvenil do Diário de Notícias, em 1997. Depois, a versão integral seria incluída na Colectânea de Textos Jovens Criadores 98. Em 2000, Peixoto bancaria uma edição de autor porque não queria que a obra precisasse da aprovação de nenhum editor – e eles vieram com o tempo. Nesses 15 anos, foram 20 edições em Portugal, o que representa cerca de 80 mil exemplars vendidos. Morreste-me foi lançado também em françês, espanhol, catalão, inglês, italiano e croata. “Este livro tem se mantido sempre por demanda dos leitores. Não sou capaz de fazer uma avaliação fiel dos resultados, mas creio que tem muito a ver com a identificação que as pessoas que já perderam alguém encontram nessas páginas. Além disso, hoje em dia, não é fácil encontrar livros que não tenham medo de falar sobre a morte”, comenta.

Peixoto não teve medo de mergulhar nesse luto, de se apresentar menino diante de sua dor e de se mostrar homem diante da situação do pai: “Pai que nunca te vi tão vulnerável, olhar de menino assustado perdido a pedir ajuda. Pai, meu pequeno filho”. O autor tampouco tem medo de encarar esta sua primeira obra. Em 2012, ele fez uma leitura integral de Morreste-me e emocionou o public que lotou a Casa de Cultura de Paraty, numa programação paralela à Flip. E, desde a semana passada, viaja pelo País para divulgar o lançamento. Hoje, ele participa de dabate com a escritora Paula Fábrio, cujo próximo romace, Ponto de Fuga (título provisorio), tem temática similar.

Voltar ao livro, diz o autor, continua o emocionando. “Por mais tempo que passe, nunca me consigo alhear daquilo que aquelas palavras transportam. Ainda assim, essa relação está em constante mudança. Hoje, muitas vezes, quando digo “pai” sou eu o pai ou, às vezes, esse pai são os meus filhos. O amor, no entanto, é o mesmo. “ Um ano depois de perder o pai, nasceu João, o primogenitor de Peixoto. André, o caçula, tem 10 anos.

Para o autor, escrever, pensar e falar sobre a morte é, em primeiro lugar, uma forma de contribuir para uma reflexão sobre a vida e prestar atenção em temas fundamentais como o tempo e o amor, entre outros. “Vida e amor”, ele responde, é o que o interessa na literatura. “Para mim, a literature é cartografia invisível. Por meio dela, tentamos encontrar sentido, referências para não nos perdermos do essencial. Ela dá proporção, equilibra a memória, limpa o pensamento”, completa.

Depois de Morreste-me, Peixoto lançou Nenhum Olhar, venceu o Prêmio José Saramago e resolveu assumir que era escritor. Lançou, ainda, entre outros, Uma Casa na Escuridão, Cemitério de Pianos e Livro. “Existe um antes e um depois muito claros marcados pela escrita desta obra. Essa mudança acompanha a grande alteração que aconteceu na minha vida com a morte do meu pai. Ainda fico impressionado ao lê-lo e ao constatar como ele condensa muitos dos temas essenciais daquilo que tenho desenvolvido no que escrevo. Sinto muita alegria por ter escrito este livro nessa idade. Foi uma ajuda enorme e permitiu que me organizasse e clarificasse aquilo que me importa”, diz.

Nascido em 1974, em Galveias, Peixoto é um dos principais autores portugueses de sua geração. “ Tenho muita pena que o meu pai nunca tenha imaginado que, um dia, eu me tornaria escritor. Sempre que alcanço alguma realização com meus livros, sinto sempre essa falta”, confessa. E, a certa altura do livro, o narrador diz: “Pai. Nunca envelheceste, e eu queria ver-te velho, velhinho aqui no nosso quintal, a regar as árvores, a regar as flores. Sinto tanta falta das tuas palavras. Orienta-te, rapaz. Sim. Eu oriento-me, pai. E fico. Estou”.

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La Marseillaise, 30 Mai 2015

16.06.15

La Marseillaise 30 mai 2015.jpg

 

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BSC News, 25 mai 2015

07.06.15

JOSÉ LUÍS PEIXOTO: UNE MAGNIFIQUE ODE A LA FIGURE DU PÈRE

 

Par Nicolas Vidal

 

José Luis Peixoto est devenu indéniablement l'une des grandes voix littéraires du Portugal. L’auteur a commencé comme journaliste et critique littéraire, parallèlement à une écriture poétique soutenue pour laquelle il a remporté plusieurs prix à l’aube de l’an 2000 et a connu un succès retentissant en 2001 avec son recueil A Criança em Ruinas. Puis ce fut une suite ininterrompue de parutions littéraires - romans et pièces de théâtre - jusqu’à la parution de La mort du père, écrit entre 1996 et 1997 puis publié en France en 2013 par les Editions Grasset.

José Luis Peixoto entretient un lien très fort avec ses racines et son rapport à la figure paternelle. C’est d’ailleurs le cas dans plusieurs de ses ouvrages tant l’auteur portugais reste très attaché à cette thématique.La mort du père est un petit objet littéraire d’une puissance incroyable, cristallisant le réceptacle d'une maîtrise littéraire de haut vol. Le narrateur revient dans la maison familiale après la mort de son père. Voilà le temps du souvenir et de l’absence où la terre d’origine est désormais «cruelle», où le père n’est plus, tout autant que ce qu’il représentait. En réalité, c’est un chant littéraire qui porte les louanges du père et de la dramaturgie de l’absence. Le fils revient sur les derniers instants de son géniteur à l'heure où la pudeur de ce dernier tente de minimiser son imminente disparition « Tu t’éloignais par les couloirs chargés de gris et d’éclairage morne, tu t’éloignais : alors, la sensation terrible que tu ne reviendrais jamais. » La mort du Père étudie avec talent les sentiments les plus durs et l’impuissance face à la mort dans ce rapport au père et ce qu’il induit pour un fils : la perte de repères et la disparition d’une figure qui a construit et qui a transmis « Oui, papa, tu as réussi. Tu as tout réussi. Tu m’as donné ce que j’ai. Tu m’as construit, tu as construit l’espoir dans tout ce que tu touchais».

Au-delà du rapport paternel, ces quelques milliers de mots choisis et agencés avec soin invitent à une formidable réflexion sur le rapport que nous entretenons avec le deuil, la mort et l’absence. Bluffant. La Mort du Père est un formidable chant d’hommage autant qu’il est un recueil poétique merveilleux parce qu’il touche, secoue et remue en vous ce qui se sent sans pouvoir se formuler. Un grand livre qui fera date.

 

 

La mort du père
José Luis Peixoto
Editions Grasset
10 euros - 64 pages

 

mortdupere.jpg

 

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